Elogio do mês nove

Elogio do mês nove
Sou leão de Julho com um fraquinho por Setembros. Por verões que esticam, livros novos, regresso dos espectáculos. Em miúda lia os manuais escolares todos antes do começo das aulas. Ainda não se usava a palavra ‘nerd’, era mesmo só pascácia. Ler aquilo tudo de rajada era uma excitação. Depois a partir daí era sempre a descer, porque o quotidiano das aulas não estava à altura daquela novidade. (E, para além disso, fui à escola no tempo da democratização, em que ninguém ligava pevide aos bons alunos. Era preciso ‘puxar’ pelos mais fracos e portanto nunca íamos ao quadro, nem ninguém nos perguntava pelos trabalhos de casa, e era comum sentarem-nos ao lado dos alunos que precisavam da nossa ajuda, para os ajudarmos a recuperar as notas. Nunca fiz as pazes com esse método de ensino visionário mas namorar com alguns rufias foi muito útil para a minha formação moral. Fechar parêntesis).
Em Setembro ainda dá para mergulhar no mar um par de vezes; para passar fins de tarde na Feira do Livro, à hora em que as luzinhas na Avenida das Tílias se acendem e livros e árvores combinam no encanto. Dá para ir a pé sem apanhar chuva ao Trindade, ver bons filmes e namorar, e pensar. Daqui a nada o tempo fecha e só nos salvam os livros e o whisky. Outra coisa em que Setembro é excepcional é na disponibilidade para fazer grandes planos. Eu já tenho dois: em 2019 haverá uma grande viagem ao Chile e um livro. Também faço 40 anos mas isso não é produto do meu planeamento, senão não acontecia. feira do livro