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AS PRODUTORAS

Por excesso de exposição que até uma extrovertida assumida fez corar, demorei a dar nota disto neste pasquim pessoal: saiu finalmente o livro “AS PRODUTORAS – Produção e Gestão Cultural em Portugal. Trajectos Profissionais (1990-2019)”, numa edição da Editora Caleidoscópio, com o apoio do CEIS20, e, indirectamente, da FCT, uma vez que o mesmo nasce durante o meu doutoramento em Estudos Artísticos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Estou bem ciente de que, tendo uma investigação em mãos, falar antes de terminar representa um risco, na medida em que expõe um processo ainda em curso, e na medida também em que esta publicação se desobriga de um conjunto de cautelas metodológicas e de um sistema de equilíbrios próprios da escrita académica que, não raras vezes, legitimam o autor mas cavam distâncias inférteis entre teoria e prática. Nesse sentido, fazer uso desta circunstância para abrir debates e provocar reflexões foi um risco calculado, que me pareceu valer a pena, fundamentalmente, por três ordens de razões: dada a relevância do conjunto de temas que as vozes que o livro reúne suscitam; dado o défice notório de publicações dedicadas à área; e, sobretudo, tendo em conta a hipótese – que avanço no livro e na tese em preparação – de que as profissões de gestão e produção cultural se desenvolveram a despeito de um aprofundamento epistemológico e crítico que urge superar.

Espero pois, que as suas eventuais insuficiências sejam compensadas por este gesto documental e provocador, no melhor sentido da palavra. O livrinho aí está agora, para ser lido e debatido, a partir de uma miríade de caminhos de leitura: da rota de profissionalização de produtorxs e gestorxs às suas práticas e experiências concretas nas estruturas de artes performativas; das especificidades e falhas do trabalho artístico e das profissões de suporte; dos paradoxos da feminização e das assimetrias de poder, às zonas de ambiguidade identitária e autoral. Ocupo-me, agora, dos diálogos entre estes temas e as questões organizacionais e do domínio da política.

Haverá ainda algumas sessões de apresentação, depois do Porto e de Lisboa: em Outubro (na ESAD – Caldas da Rainha) e em Novembro, no TAGV, em Coimbra. Estará em breve nas livrarias e, entretanto, está disponível para compra aqui.

Fim da pausa publicitária. Siga o resto.

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